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De Autocaravana, tenho vindo a viajar ''cá dentro'' e pela Europa... para lá do Círculo Polar Àrtico - até ao Cabo Norte, onde vivenciei o ''Sol da Meia-Noite''.
Viajei em Autocaravana pelo Norte de Àfrica... (mais de uma vez), muito para lá do Trópico de Cancer... até à Guiné-Bissau.
Fui também por estrada à Àsia - Turquia e Capadócia, sendo que no regresso fiz a Croácia e dei um saltinho a Mostar e Saraevo na Bósnia-Herzegovina.
Sem pretensiosismo literário ou outros, apenas pela PARTILHA, dessas e outras viagens vou dando conta neste espaço.

Países visitados em Autocaravana: - EUROPA: ESPANHA – ANDORRA -FRANÇA-ITÁLIA-MÓNACO- REINO UNIDO - IRLANDA -HUNGRIA-REP.CHECA-SUÉCIA-ESLOVÉNIA - ESLOVÁQUIA- POLÓNIA-AUSTRIA-SUIÇA-ALEMANHA-BÉLGICA-HOLANDA-DINAMARCA-NORUEGA-FINLÂNDIA-ESTÓNIA-LETÓNIA-LITUÂNIA-BULGARIA - BÓSNIA HERZGOVINA- ROMÉNIA -GRÉCIA – CROÁCIA – LIENCHSTEIN – LUXEMBURGO – S.MARINO - VATICANO ÀSIA : -TURQUIA-CAPADÓCIA ÀFRICA: GUINÉ-BISSAU – CASAMANÇA – GÂMBIA – SENEGAL – MAURITÂNIA – SAHARA - MARROCOS

Outras viagens:RÚSSIA (Moscovo e S. Petesburgo) -AMÉRICA do NORTE:CANADÁ (Quebec-Ontário-Montreal-Otawa-Niagara falls) - EUA(Boston-Nova Iorque-Cap Kenedy-Orlando - Miami)AMÉRICA CENTRAL:CUBA (Havana - S. Tiago de Cuba - Trinidad - Cienfuegos - Varadero)- ÀSIA :CHINA (Macau-Hong Kong) - VIETNAM(Hanói-Danang-Ho Chi Min) -

terça-feira, Outubro 14, 2014

Outono entre Douro e Minho - tempo de colheitas II

Alguns interessantes locais nunca antes visitados e... uma nova área de serviço para AC em fase de acabamentos em TABUAÇO. 
Peso da Régua
Dia 5 - 15out14 - 4ª. feira
PESO DA RÉGUA - ADORIGO - TABUAÇO
Uma manhã agradável mesmo se a intempérie fustigava o resto do País.
Antes da partida para Tabuaço, avançamos pela marginal em direção às pontes onde se situa a nova AS para AC.

AS da Régua
Tarefas de reabastecimento e descargas - AS grátis - Pernoita com eletricidade € 3,00
Atravessada a ponte avançamos para montante do rio Douro até que surgindo a placa de Adorigo subimos a sinuosa encosta por entre vinhedos de folhas caducas.

As nuvens iam sobrevoando o percurso sem nos incomodar e a temperatura agradável para a época foram-nos dando o alento para a subida.


no percurso iam-se avistando na berma da estrada imensos medronheiros com o fruto já apresentando o colorido encarnado vivo
Adorigo - onde já participamos na vindima nas escarpas-socalcos vinhateiros tendo o Douro como pano de fundo
Tabuaço
Finalmente TABUAÇO onde ficaríamos naquela que será em breve uma área de serviço para autocaravanas. Valeu a pena ir insistindo na ideia de sensibilizar a autarquia para que ela venha a ser uma realidade em breve.
Tabuaço
O _P_ que a autarquia vai destinar às Autocaravanas instalando uma pequena AS.
a paisagem que se avista 'a bordo' das casas rolantes...

A visita aos nossos amigos da terra e o jantar no Restaurante da piscina / Tábuad'Aço que sempre nos acolhe com simpatia.
O percurso do dia
Dia 6 - 16out14 - 5ª. feira
TABUAÇO - Nª Srª da Lapa (Cernancelhe) - Moimenta da Beira - Barragem do Vilar - TABUAÇO
Matriz do Tabuaço
Aberta 'fora de horas' para a nossa visita!
Igreja barroca de construção primordial da época medieval. Apresenta planta longitudinal e é composta por nave, capela-mor, capela lateral e sacristia. 
O interior é de coro-alto e o retábulo principal de talha dourada do estilo barroco nacional.
a pia batismal

Longe vão os tempos!!!
quem se lembra?







A capela da Lapa, que, em conjunto com o antigo colégio, onde, entre outros, estudou o escritor Aquilino Ribeiro, é parte essencial do Santuário da Lapa, assim denominado por se encontrar no topo da Serra da Lapa.
em MANUTENÇÃO
A capela é de meados do século XVI e o colégio foi construído já no século XVII pelos jesuítas. Uma das particularidades da capela que ficou parcialmente destruída durante a madrugada é que foi construída deixando pedras de grandes dimensões no seu interior.
Reza a lenda que este penedio foi a estrutura que esteve na génese do actual templo, por se ter abrigado nas pedras uma "pastorinha" que encontrou, nas fendas, uma imagem da "Virgem".

Um crocodilo, que é popularmente conhecido como "o lagarto", esculpido em madeira e de grandes dimensões, no interior da capela é uma das mais famosas atrações do Santuário da Lapa.

Esta capela encontra-se a cerca de 500 metros da nascente do Rio Vouga.
Todo o santuário sofreu uma intervenção profunda de recuperação pela câmara de Sernancelhe nos últimos anos.
Nossa Senhora da Lapa é uma representação de Santíssima Virgem Maria, bastante cultuada em Portugal e no Brasil. A sua imagem geralmente ostenta a Virgem Maria de pé, sobre as nuvens, com as mãos juntas em atitude de oração, com uma coroa e uma pomba (símbolo do Espírito Santo) sobre a cabeça. 

História
A história da devoção a Nossa Senhora da Lapa, segundo uma lenda popular, iniciou-se em meados do ano de 982, quando o general mouro Almançor, em uma de suas campanhas militares na Península Ibérica, teria atacado o Convento de Sisimiro, situado na localidade de Quintela, Sernancelhe, em Portugal2 , onde teria martirizado parte das religiosas que ali se encontravam.

As religiosas que teriam conseguido escapar do general teriam se abrigado em uma lapa (gruta), onde teriam guardado uma imagem de Nossa Senhora que levavam consigo.

Ao longo dos séculos, por cerca de quinhentos anos, a imagem teria permanecido ali, até que, em 1498, uma jovem pastora chamada Joana, menina ainda e muda de nascença, ao pastorear as ovelhas pelos arredores da gruta, teria resolvido adentrar e teria encontrado a imagem, pequena e formosa.

Porém a inocência da menina teria interpretado o achado como uma boneca e a teria colocado na cesta onde guardava seus pertences e seu lanche. Durante o pastoreio, a menina enfeitava a cesta como podia, procurando as mais lindas flores para orná-la.

Embora as ovelhas se encontrassem sempre no mesmo lugar, estavam sempre alimentadas e tranquilas, o que despertou comentários entre algumas pessoas. Estes comentários chegaram aos ouvidos da mãe de Joana, que, já enervada com as teimosias da menina, num momento de irritação, pegou a santa imagem e atirou-a ao fogo.

Ao ver isso, a menina soltou um grito: "Não! Minha mãe! É Nossa Senhora! O que fez?". Sua fala desprendeu-se instantaneamente de forma irreversível e sua mãe, neste momento, ficou com o braço paralisado. Ainda em transe, a menina e a mãe oraram e o braço paralisado ficou curado.

A comunidade, então, reconhecendo o valor da santa e milagrosa imagem, sob a orientação da menina Joana, construíram uma capela para abrigá-la, onde ficou, mesmo após as diversas tentativas do clero de levá-la para a igreja paroquial, de onde sempre desaparecia de modo misterioso.

O seu culto acabou por difundir-se em Portugal e foi levado para o Brasil pelos colonizadores portugueses.
















Dia 7 - 17out14 - 6ª. feira
TABUAÇO - Granja do Tedo -  TAROUCA - Torre fortificada de Ucanha - Caves da Murganheira - Mosteiro IPPAR de Sta maria de Salzedas - Convento de São João de Tarouca - Tarouca - LAMÊGO
com a íngreme subida para a Granja do Tedo, as despedidas de Tabuaço lá em baixo.
Manhã cedo haveríamos de ir a casa dos nossos amigos em busca do apetecível azeite.
Ainda houve tempo para sermos levados a Adorigo para num dos terrenos do casal colhermos alguns marmelos.
o PERCURSO do DIA
Feitas as despedidas, rumamos encosta acima por sinuosa estrada até à interessante aldeia da Granja do Tedo ( já visitada em viagem passada) e daí continuarmos num rodopio de estreitas estradas até Tarouca.
Granja do Tedo
Granja do Tedo ... desta vez, não paramos
Na parte final a estrada mostrou-se mais amiga dos passantes.
Um arco-Iris fora do comum...
Já em Arouca, estacionamos num reabilitado largo da terra no meu caso para sob uns pingos de chuva confecionar um agradável arroz de lulas e os meus parceiros optarem pela ida ao restaurante.
Paragem em Tarouca para almoço - Um posto de Turismo encerrado?!
UM DIA EM CHEIO  
4 locais onde nunca havia estado
Um Portugal por descobrir
Havíamos pensado que os Mosteiros se situavam na localidade, mas os locais informaram-nos se localizavam nas imediações.
Avançamos na direção da pequena e agradável localidade de Ucanha onde visitamos a magnífica Torre Fortificada.
Torre muralhada de UCANHA
O topónimo Ucanha deriva de Cucanha, forma usada até ao séc. XVII, tratando-se de um vocábulo que pode designar casebre ou lugar de diversão.
O curso de água, acompanhado por salgueiros e amieiros, ampara uma ínsua entre a ponte de Ucanha e a ponte nova, a qual é desfrutada como praia fluvial. 
Esta freguesia marca a entrada do antigo couto do Mosteiro de Salzedas, onde são conservadas ainda dentro do seu limite as ruínas da Abadia Velha de Salzedas.
As casas, essencialmente unifamiliares, ornamentam-se de varandas em madeira, com o realce do vermelho, azul e verde nas suas pinturas.
Com escadas exteriores apresentam quase sempre dois pisos, cujo piso térreo é utilizado para as lojas, destinado essencialmente para uso agrícola, enquanto o segundo piso se destina à habitação.
Ucanha é uma das seis aldeias vinhateiras, assim denominadas desde 2001, que encerra uma história milenar, intrinsecamente ligada à cultura do vinho. 
Esta localidades, como todas as outras cinco, está sujeita a um programa de requalificação, que visa proteger e reabilitar os espaços urbanos e paisagísticos que engloba. 

Todos os anos, desde 2007, realiza-se o Festival das Aldeias Vinhateiras, durante os meses de setembro e outubro, enchendo as ruas de espetáculos, animação e atividades. Todas as festividades são apadrinhadas pela gastronomia e pelo vinho locais.




De rara beleza o conjunto - rio, ponte, moinhos de água. torre e aldeia





Igreja Matriz - não visitamos por se encontrar encerrada
IGREJA MATRIZ DE UCANHA Praticamente ao lado da Casa Natal de Leite de Vasconcelos, na praça de mesmo nome,a igreja mãe de Ucanha, à direita do rio Varosa em uma plataforma que se eleva acima dele. Construído entre os séculos XVII e XVIII, uma igreja única, retangular, com dois edifícios adjacentes: A sacristia e a torre sineira (sul). Apesar de sua aparência sóbria, o interior é muito rico, abriga um belo teto de madeira pintado e vários retábulos em talha dourada com imagens de São João Evangelista, Maria Madalena, Santa Barbara e São Pedro, bem como a fonte de granito.
Avançamos em seguida para poucos kms adiante pararmos para visita às CAVES DA MURGANHEIRA.
Uma cave original, escavada em rocha de granito azul, que em vez das tradicionais pipas, toda ela está cheia de garrafas de espumante. 
Na Murganheira, os espumantes desenvolvem-se naturalmente nas suas garrafas, passando por diversos estágios até atingir a maturação necessária. 
Aqui se produzem-se os famosos vinhos e espumantes das Caves da Murganheira.
Caves fundadas há mais de 50 anos, localizadas numa propriedade com mais de 30 hectares, atualmente. Os espumantes são produzidos a partir das castas mais nobres como Malvasia Fina, Gouveio Real, Cerceal, Chardonnay, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Pinot Noir. 
Os vinhos leves mas intensos resultam das castas Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio Real, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca. Estas caves encontra-se esculpidas na rocha, em granito azul, atingindo uma profundidade de 72 metros.

As vinhas contíguas à receção que se situam sobre as caves
MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE SALZEDAS
Este Mosteiro, tal como o de S. João de Tarouca pertenceu à Ordem dos monges Bernardos.
Deve-se, no seu início, principalmente, a D. Teresa Afonso, segunda mulher de Egas Moniz.Segundo a tradição e a crónica de Cister, começou a edificação do Mosteiro de Salzedas, no sítio da Abadia Velha, junto de Ucanha; depois assentou-se que foi edificado sobre o rio Torno.
Anos antes, porém, já ele tinha monges e abade. A Carta de Afonso Henriques, datada de 1163, pela qual doa o Couto de Algeriz a Teresa Afonso para que esta por sua vez o ofereça ao mosteiro de Salzedas, afirma que o possuam os que aí habitam sob a regra de S. Bento. E pela Carta de doação da Igreja de S. Martinho de Gaia, datada do mesmo ano, D. Afonso Henriques oferece esta mesmaIgreja ao Abade João Nunes e seus sucessores. Destas doações se vê que em 1163, em Salzedas, já havia um Mosteiro com monges e abade que devia ter levado tempo a organizar-se. D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, viveu algum tempo em Salzedas, tendo como aia de seu filho, ainda infante, Teresa Afonso. 
 As generosidades do nosso primeiro Rei para com o Mosteiro inspirou-as certamente a lembrança dos tempos que ali passou, e é o que parece deduzir-se das seguintes palavras da Carta de doação do Couto ao Mosteiro e Monges:
 "Damus Cautum de Algeris pro servitio qoud nobis fecistis". Teresa Afonso foi a alma desta instituição, chegando a albergar os frades em sua própria casa, enquanto corriam as obras do Mosteiro. Afinal morreu sem as ver concluídas, sepultando-a os monges sob um arco da Igreja e mandando-lhe gravar na campa laudatório epitáfio. Nada se sabe hoje do local da sua sepultura. Adscrito à Regra de S. Bento, o mosteiro de Salzedas, só depois doado a João Cirita, em 1165, é que passou para os Bernardos.
Edificado sobre o rio Torno, depressa os seus monges agricultaram os subúrbios e formaram uma das mais lindas e férteis cercas da Beira. O seu Couto era muito extenso e no seu termo ficavam campos, lameiros, vinhas e hortas e até algumas povoações, sendo mais importante a Vila da Ucanha.
Além do couto de Algeris teve doações de reis, como Sancho I, Afonso III, Pedro I e D. Manuel, que o tomou debaixo da sua protecção por Carta datada de Sintra; legaram-lhe quintas e casares; D. Flamula em 1258, Eldra Martins e outras donas e cavalheiros, como Vermundo Pais, Gonçalo Canileu, os Marialvas e o Bispo de Lamego; era donatário da Vila da Ucanha, Granja Nova, Vila Chã da Beira e S. Martinho de Mouros; e tinha o padroado das Igrejas, além das terras do limite do Couto, mais: Cimbres, Santa Leocádia, Paços de Tarouca. Tudo isto concorreu para o enorme poderio e para a sua colossal riqueza; e só tamanha riqueza explica a obra gigantesca que foi a sua Igreja e Convento.

 A traça deste Mosteiro era enorme. Formavam-no vastas salas para hóspedes, grandes celeiros e cozinhas, longos dormitórios, botica, que foi afamada, e óptimas cavalariças. Mas a todas estas dependências avantajavam-se o claustro grande o pequeno a sala do Capítulo, que ainda hoje podemos ver e admirar. Os quatro dormitórios formavam um quadrado e no centro havia o jardim onde avultava enorme tanque.
De toda esta obra, além dos claustros, da casa do celeiro e de parte dum dormitório, quase nada resta. O que existe deve ser obra do século XVI a XVIII, talvez da iniciativa de D. Fernando I e D. Fernando II, abades do Mosteiro; aquele fundador do Hospital de Ucanha e este restaurador da sua ponte e torre.
 Este Mosteiro teve a sorte do de S. João de Tarouca: foi extinto em 1834 e, desde então até há umas décadas atrás tem vindo a ser destruído.
Porém, desde então, tem vindo a receber obras de requalificação no valor de um milhão de euros, que incluiram o restauro de 2 pinturas de Grão Vasco, 20 do pintor Bento Coelho da Silveira, os claustros do monumento e a ala nascente, com destaque para a criação de um museu na área das celas de clausura dos monges.
IGREJA DE SALZEDAS
Elegante e espaçosa é esta Igreja, mas não tem os primores artísticos da Igreja de S. João.Ergue-se ao Sul da povoação de Salzedas, sobre o leito do rio Torno. A sua origem remonta à data da edificação do Mosteiro, ao lado de cujas ruínas se ergue. A sua primitiva traça deve-se a D. Teresa Afonso, segunda mulher de Egas Moniz, que, para não violar a clausura e, querendo comungar dentro dela, pediu e obteve licença para isso do Papa Adriano IV. Tanto o Mosteiro como esta Igreja devem-se a esta senhora piedosa e de génio empreendedor.
As reformas dos séculos XVI, XVII e XVIII, destruíram a abside e absidíolos centrais e transformaram a igreja. Felizmente, as pilastras dos arcos das naves foram montadas no interior da estrutura primitiva e atualmente, depois de retirados os revestimentos, é possível observar em toda a sua primitiva dimensão, as abóbadas, as colunas, os capitéis singelamente decorados e os arcos quebrados primitivos.
É ela hoje uma das mais vastas igrejas do país. Em forma de cruz, de três altas e espaçosas naves, com muitos altares, tem, na capela-mor, um coro de pau santo, muito semelhante ao da Sé de Lamego. A sacristia, que lhe fica contígua, também espaçosa, é de abóbada apoiada numa coluna central. De medianas proporções, tem harmonia de conjunto. Não podemos filhar esta construção em escola alguma. Levantada em sucessivas etapes, como quase todas as grandes construções monásticas, sofreu a influência das correntes artísticas do tempo. 
 Inspirou-a a época de D. João V, em que a grandeza e a pompa escravizaram o bom gosto.Depois a escola pombalina dominou o frontispício a as torres. Mais modernas do que o resto do edifício, nunca chegaram a concluir-se, ficando incompletas, as suas torres de lindos corucheus e minaretes, pelas convulsões que as invasões napoleónicas espalharam no país. Hoje está inscrito como monumento Nacional.
 À entrada dos seus dois grandes pórticos há como que duas criptas; numa e no mesmo túmulo, do lado esquerdo, estão sepultados os primeiros Condes de Marialva, D. Vasco Coutinho e sua mulher D. Maria de Sousa. No lado oposto, na mesma cripta, está o túmulo do 2.o Conde de Marialva, D. João Coutinho.
Na outra cripta está sem data nem inscrição, com lavores góticos na arca, sobriamente decorada. Ignora-se o nome do cavaleiro ou dona que ali repousa. A sua tampa é medieval, mais antiga do que o resto do mausoléu.Devia ser de alta personagem pela grandeza desta sepultura e pelo local onde se encontra. Será de D. Teresa Afonso? À entrada do coro estão dois pequenos retábulos, de autor desconhecido com todas as características dos quadros de escola portuguesa do século XVI, muito semelhantes aos quadros da Igreja de Ferreirim.
Na sacristia há um rico contador de pau-santo, alguns quadros com figuras alegóricas da vida de S. Bernardo, enormes gavetões, tudo isto com incrustações de metal burilado e ricas molduras.
Efetuadas as três visitas, deixamos para o regresso avançar na direção oposta para o
Mosteiro de São João de Tarouca
 O Mosteiro de São João de Tarouca, localizado na encosta da Serra de Leomil, no distrito de Viseu, ergue-se num grande vale, ao fundo do qual corre o rio Varosa. Inicialmente foi um ermitério mas, em 1152, após a vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros em Trancoso, foi lançada a primeira pedra da igreja conventual cisterciense.
O mosteiro foi o primeiro a ser construído no país pela Ordem de Cister. O dormitório novo e torre sineira foram construídos no século XVI. A última fase das obras de ampliação do mosteiro decorreu no século XIX. Em 1938 seriam restaurados os retábulos, nomeadamente o de São Pedro, atribuído a Grão Vasco. Nesta abadia repousa D. Pedro Afonso, um dos filhos bastardos do rei D. Dinis, num enorme sarcófago em pedra de granito encimada pela estátua jacente e decorado com cenas de caça. 
Lamentamos não nos ter sido possível colher imagens, mesmo se as mesmas abundam na net... Para já a visita é gratuita.
Este Mosteiro, tal como o de Salzedas pertenceu à Ordem dos monges Bernardos. Data do século XIII a sua fundação e a ele anda ligado o nome de D. Afonso Henriques. Obra colossal no seu conjunto e interessante nas suas partes, é tão valiosa e notável que tem prendido a atenção dos estudiosos na matéria.
Por mandado de S. Bernardo e seguindo o rito monástico do tempo, vieram ao Ocidentedoze monges para fundarem a instituição que se regesse pela sua regra. Estabeleceram-se num pequeno vale, fértil e aprazível, cavado, quase a prumo, entre serras alpestres, na junção de dois córregos-Pinheiro e Aveleira-que, fundidos, se vão juntar ao Barosa, dezenas de metros abaixo do Mosteiro.
A fama das virtudes dos monges, suas pregações e, sem dúvida, o ambiente religioso do tempo e os atractivos do lugar que habitavam, tudo concorreu para, em breve, se povoar aquela estância. A generosidade dos fieis, príncipes e reis não se fez esperar. Afonso IX de Leão, Rainha Santa, D. Sancho I, D. Afonso III, D. Diniz, D. Pedro, conde de Barcelos, D. Urraca e seu marido Pedro Anes, foram algumas grandes figuras a fazer importantes doações ao Mosteiro. Tinha herdades em muitas localidades e era padroeiro de várias igrejas, mas o maior rendimento vinha-lhe da quinta de Mosteiró segundo o cónego Rui Fernandes, era de: 800 arrobas de sumagre, 15 mil almudes de vinho, 2500 de azeite, 1000 de centeio, 600 de castanhas, 300 cargas de cerejas e 300 de outras frutas. Com tão colossal rendimento chegou até 1834, ano em que foi extinto por D. Pedro IV. Eis o que nos diz a história sobre o mosteiro de S. João: Não é possível dar pálida descrição da sua traça enorme com o que resta dele. Diz o Ab. Vasco Moreira: Era majestoso! Vimo-lo, em pé, no início do século, paredes nuas é certo, mas de pé, janelas mutiladas, ferros torcidos, traves partidas e o chão coberto de destroços.
Um longo dormitório, ao norte, de mais de 150 metros de comprido, com muitas celas; corredores e salas a nascente; hospedarias e farmácia ao poente; a torre e a Igreja ao sul; no meio o grande e pequeno refeitório, a sala do capítulo e os claustros: era o convento.
No centro do pequeno claustro, destinado aos hóspedes, tão elegante e artístico, erguia-se uma obra de arte, célebre pelos protestos que ocasionou a sua inauguração entre a comunidade monástica. Destoava daquela casa religiosa pelo seu flagrante realismo: era a fonte das sereias.
A FONTE DAS SEREIAS! Entre renques de verde murta, erguia-se acima da copa arredondada dos loureiros e emergia de enorme tanque, orlado de estatuetas.
Foi obra vinda de Itália, que o abade, em contacto com a côrte pontífica quiz adquirir. Embriagado das belezas da Renascença, então em plena grandeza, ambicionou, no seu convento, alguma coisa que lhe recordasse a divina arte. Era de mármore e tão linda que a envolveu a lenda! Coroavam-na três sereias, que lhe deram o nome, jorrando água dos peitos intumescidos. O próprio Pontífice a encomendou ao célebre artista João de Bolonha. Mas essa circunstância não era carisma que a recomendasse à totalidade dos monges: os mais piedosos e castos não queriam aquilo na casa do senhor. Três sereias nuas, formas voluptuosas, seios nus, comprimidos por alvas e delicadas mãos a fim de os mamilos jorrarem, com mais força, a água cristalina! Podia lá ser? Era um escândalo para os monges e donatos do mosteiro. O caso foi levado a capítulo e ali o D. Abade atalhou a tais escrúpulos com exemplos de igrejas, laivadas da arte pagã.
E, contra elas, não se erguera uma voz; só ali se protestava! Não havendo razões a convencer os protestantes e defensores da moral do claustro, o Abade, enérgico e decidido, contra a vontade geral, inaugurou a Fonte das Sereias, que tantas décadas viram de pé e cujas camarinhas, rolando na enorme taça marmórea o sol da manhã tantas vezes irisou.
IGREJA DE S. JOÃO DE TAROUCA a maior gló;ria à Beira pelos monges Bernardos esta igreja, dentro de cujas abóbadas souberam aliar a riqueza a um requintado gosto artístico. Ergue-se ao sul das ruínas do extinto mosteiro. Pela admirável escultura e pelos seus quadros formosíssimos, azulejos e, históricos túmulos, é, sem dúvida, uma das mais notáveis do país. É monumento nacional.
A fundação deste templo data do princípio da monarquia(1157). A arquitectura do templo, tal como hoje se ergue no vale de S. João, obra do éculo dezasseis até ao princípio do século XVIII.
Interiormente, esta igreja é como um museu em que o fino gosto do seu recheio se alia à boa disposição das partes. Tem dez altares todos (excepto dois), da mais pura renascença. O seu coro de pau santo, e a teia de incrustações metálicas singelamente buriladas; o seu órgão de elegante e majestoso frontispício e um dos púlpitos, com docel cravejado de estrelas de metal, ladeando uma pomba, são joias raras.
O altar de N. S. da Piedade e o de S. Pedro, pelas suas belezas arquitectónicas, pela sua maravilhosa decoração e pelos quadros que os completam, devem ser os melhores deste templo, e dos mais notáveis do país. Como coroa escultural deste templo, dois ricos e artísticos candelabros pendem das abóbadas. Todo este conjunto a arte ali se afeiçoou.
A luz coada dos pequenos vitrais e da enorme rosácea, banhando as formas brandas das imagens e o ouro dos altares, completa o ambiente místico donde parece sair uma voz doce que nos diz ali: «ajoelha e ora».
Como se estas lindas jóias, fossem poucas ainda, para fazer avultar esta obra, entre as elegantes colunas deste altar, avulta o célebre
POLÍPTICO DA VIRGEM é obra do século XVI, de escola portuguesa de pintura antiga atribuído a Gaspar Vaz.
Ao fundo do transepto, no altar chamado do Desterro sobressai o grupo escultórico da SAGRADA FAMÍLIA enquadrado num políptico executado cerca de 1650 e representando as seguintes cenas: Fuga para o Egipto, o menino com seus Pais, sonho de S. José e a matança dos Inocentes. Na nave lateral do norte impõe-se a pintura do ARCANJO SÃO GABRIEL obra de Gaspar Vaz, em tábua de castanho com as mesmas dimensões da de S. Pedro; e na frente do transepto, as imagens seiscentistas de S. Bernardo, S. Bento, S.ta Umbelina e S. António, as duas últimas provenientes das capelas da cerca. O retábulo do altar-mor, de boa talha joanina de cerca de 1702, enche o fundo da capela de paredes revestidas de AZULEJOS ALUSIVOS À FUNDAÇÃO DO MOSTEIRO aparecendo a data errada de 1122 dada por Brito, em vez de 1152, por interpretação do X tracejado que valia 40 e não 10. São grandes painéis datados de 1718 e que se impõem pela sua elegância do traço e naturalidade das personagens.
Não tendo sido possível obter imagens - as que aqui se publicam foram retiradas da net - vídeo inclusivé.
OUTRAS OBRAS DE ARTE: esculturas da Virgem com o menino, policromada, do século XVI; Virgem grávida e um S. Gabriel, pequeno, de calcário branco, desenterrada no lado de fora da porta da igreja; S. João Baptista.Azulejos seiscentistas cobrem arcos e paredes das naves laterais. No braço esquerdo da transepto poisa a mole granítica do sarcófago do Infante D. Pedro, filho natural de D. Dinis, autor do livro das Linhagens, falecido na próxima aldeia de Lalim, em 1354. Sobre o colossal arcaz de granito, estende-se a majestosa estátua jacente do conde de Barcelos, varão hercúleo, de avançada idade, longas barbas aneladas, roupagens onduladas até aos pés, mãos empunhando uma espada. Numa das faces foi esculpida uma cena de caça: dois homens munidos de chuços e três molossos atacam um javali.
 Do recheio merece ainda referência o monumental órgão,com respectiva tribuna, encomendados em 1766 pelo abade D. Fr. Félix de Castelo Branco e que veio substituir outro ali instalado em 1711. Digna de nota a sumptuosa decoração em talha, os tubos dispostos horizontalmente e a particularidade duma personagem, sentada à frente da tribuna, de longas barbas e braços meio levantados. Sempre que o organista tocava, o boneco marcava o compasso com o braço direito e deitava a língua de fora.
Visita recomendável mesmo aos não crentes!
Já a tarde findava e a continuação da jornada em direção a LAMEGO
Sé de Lamego
No final da tarde apontamos como destino a anunciada AS para AC / Camping.
Subida a encosta verificamos que apenas lá estava uma única AC... até aí nada a opor... achamos melhor não ficar no local por não se justificar o pagamento de cerca de € 20,00 para pernoitar...
Voltamos a descer e na cidade no enorme espaço junto ao pavilhão multiusos ficaríamos calmamente.
Lamego - Sé

Sé de Lamego, foi fundada em 1129. É uma catedral gótica, mantém a torre quadrada original, mas o resto da arquitetura reflecte as modificações feitas nos séculos XVI e XVII, incluindo um claustro renascentista com uma dúzia de arcos bem proporcionados.
Lamego - Teatro
No século XII, após a restauração da diocese de Lamego, iniciou-se a edificação de um templo maior. A sua localização efectivou-se no Rossio de Lamego, na zona baixa da futura urbe, e iniciou-se no ano de 1159. Sagrada em 1175 a Santa Maria e a S. Sebastião, a provável conclusão da Sé só viria a acontecer em 1191. Contudo, as várias idades da História encarregaram-se de alterar, significativamente, o seu perfil românico original.
Lamento: Na entrada principal, encontra-se uma placa que informa os visitantes do seguinte: "Entre para orar e não para visitar. Obrigado" É também proibido tirar fotografias. 
Como cidadão lamento esta atitude. A igreja deveria ser um espaço aberto a TODOS, com o devido respeito claro. A Igreja deve ter um papel Inclusivo e não Exclusivo.

Percorridos: 319 Km ( Dia 88 Km )
_P_ N 41º 05' 43.7'' W 7º 48' 44.6''
Dia 8 - 18out14 - sábado
LAMÊGO - PESO DA RÉGUA
Com um amanhecer agradável, decidido subir a grande escadaria do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

No local onde foi erigida a capela – mor de Nossa Senhora dos Remédios existia uma pequena ermida, mandada construir pelo bispo D. Durando, em 1361, dedicada a Santo Estêvão.
Em 1568, o bispo de Lamego D. Manuel de Noronha autorizou a demolição da velha ermida e, no local onde atualmente se situa o Pátio dos Reis, mandou erguer outra sob invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Esta capela acabou por ser também demolida para se erguer o atual Santuário, cuja primeira pedra foi assente em 1750, por iniciativa do cónego José Pinto Teixeira.
 O edifício do Santuário é uma construção em estilo barroco toda trabalhada em granito, deslumbrando pela elegância do estilo, imposta pela criatividade do autor do projeto que se acredita ter sido Nicolau Nasoni.
A talha é setecentista. O retábulo da capela-mor atrai pelo seu emolduramento, constituindo um quadro original dentro dos entalhamentos portugueses, no centro do qual se encontra a Imagem de Nossa Senhora dos Remédios. De salientar, igualmente, os altares laterais de S. Joaquim e de Santa Ana. Ainda, no interior do templo, podem admirar-se belos painéis de azulejos, bem como interessantes vitrais que enriquecem as paredes do corpo principal e da capela-mor.
 O frontispício do Santuário é a parte mais admirável de todo o edifício, fascinando todos os que se quedam a admirar o fulgor e génio criativo ali patente. Todos os adornos, tão elegantemente refinados no granito, são admiráveis.
No adro da igreja, do lado sul, existe uma harmoniosa fonte toda esculpida em granito da região, com desenho de Nicolau Nasoni, datada de 1738. (ver Fontanários).
 Levantada sobre o patim, onde terminam os últimos degraus da escadaria, já no adro, em frente do templo, pode ver-se a cruz monolítica, de finíssimos ornamentos. O autor do livro “História do Culto de Nossa Senhora dos Remédios em Lamego”, do Cónego José Marrana – obra incontornável e de indispensável consulta para quem melhor quer conhecer o Santuário, Escadório e Parque dos Remédios – considera esta peça “a coroa maravilhosa de toda a obra da escadaria, que se impõe e domina pela delicadeza das suas linhas e da sua traça escultural”.
 As duas torres – com projeto do arquiteto Augusto de Matos Cid – iniciaram-se muito mais tarde. A do lado sul começou a ser construída em 1880, vindo a torre do lado norte a concluir-se apenas em 1905.
A escadaria iniciou-se em 1777 mas as obras só vieram a terminar no século XX.
 O quadro mais grandioso da escadaria é sem dúvida o denominado “Pátio dos Reis” – obra arquitetónica admirável, formada pela Fonte dos Gigantes, no centro da qual se eleva um esplêndido obelisco, com cerca de 15 metros de altura. Este pátio é rodeado de várias estátuas que representam os 18 últimos nomes da casa de David. Também notáveis são os dois pórticos que dão acesso lateral para este amplo terreiro. (ver Tesouros Artísticos)
De mencionar, também, o pátio de Nossa Senhora de Lurdes ou de Jesus Maria José, onde existe uma capela que o seu fundador dedicou à Sagrada Família. Mais tarde, a Irmandade mandou colocar ali a imagem de Nossa Senhora de Lurdes. Sobre a porta da bonita capela está o brasão do bispo D. Manuel de Vasconcelos Pereira, seu edificador.
Em frente desta capela encontra-se a fonte da Sereia, cujo nome advém do facto de ter a adorná-la uma escultura de um tritão montado num golfinho – figura que para o comum dos visitantes se assemelha a uma sereia. De referir ainda, na escadaria, a monumental Fonte do Pelicano em granito lavrado. Particularmente interessante nesta fonte é a escultura do pelicano (ver Fontanários).
passagem do Douro na Régua
De volta ao Peso da Régua, a sempre agradável caminhada desta vez para jusante do Douro.









_P_ mais central, e com eletricidade grátis... até quando?
Ave artificial no tejadilho da AC!... bizarria?
Percorridos: 334 Km ( Dia 15 Km )
Dia 9 - 19out14 - domingo
PESO DA RÉGUA - AMARANTE - FELGUEIRAS - BRAGA
Após evitarmos a intempérie sentida no resto do País, o regresso a casa num dia de varão... soamos as estopinhas aproveitando para breve paragem, como que para a despedida, no alto de Mesão Frio cuja visita faremos numa próxima passagem.



Percorridos: 435 Km ( Dia 101 Km )